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riscos_e_rabiscos

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Raios partam!

 

Raios partam a crise e mais quem a provocou, os transportes públicos, os atrasos dos autocarros, os papás manientos e chatinhos e ainda o frio de rachar ao fim do dia!

 

Não há direito! Arfs! Quer-se dizer, aumentam os passes e proporcionalmente diminuem a quantidadde dos autocarros a circular. Incentivam o pessoal a andar de transportes públicos e depois passamos eternidades à espera de um autocarrozinho que nos traga para casa. 

 

Apanhei duas secas descomunais para chegar a casa. A primeira de meia hora e a outra de 15 minutos. Estas secas dão cabo de mim, parece que levei uma tareia. Depois juntando a isto o frio polar que apanho à espera do último autocarro que me traz para casa, a vontade que tenho é a de me enroscar num cobertor assim que chego, para derreter o gelo!

 

Pronto, não me enrosquei no cobertor, mas ataquei um capuccino quentinho para descongelar. Haja paciência e haja transportes públicos! Irra!

Pronta A Demolhar...

 

Entre ontem e hoje, andei a resolver assuntos pessoais a modos que pró urgente e pró pendente. Comecei em grande com o centro de saúde. Liguei para a minha médica a explicar a minha situação e a perguntar se me podia atender. Autorização concedida e lá marchei, à hora de almoço, até lá.

 

A médica tinha o consultório à pinha. Sentei-me na sala de espera, aguardando ansiosamente a minha vez. Passou uma hora. E mais meia. Resolvi ir espionar o que se passava à porta do consultório. Só para "checkar" se estava tudo bem, se a médica não precisava de nenhuma "ajudinha" (cof! cof!), ou se algum chico esperto não se tinha infiltrado no meio da lista para obrigar os outros a esperar mais um bocadinho! Adiante.

 

Por pouca sorte, a médica estava à porta e, assim que me viu, chamou-me para me dizer que não me podia atender naquela altura mas para eu voltar lá às cinco horas. Pronto, lá marchei de regresso a casa resignada. Às cinco horas já lá estava de novo. Primeirinha da fila! Knock! Knock! Silêncio no consultório... Agucei o ouvido e percebi que ela ainda não tinha chegado. Comecei a deambular pelos corredores à espera. Resumindo: a médica regressou às seis e um quarto e fui a primeira a ser atendida.

Tempo de seca:duas horas e trinta minutos.

 

Hoje foi a vez da Segurança Social, mais conhecida pelo maior pesadelo de todos os tempos em Portugal. Literalmente. Às nove da manhã já lá estava e a minha senha era a 79. Quando olhei para o LCD - sim porque o dinheiro dos contribuintes já chega para LCDs a dizer em que senha vai. Qual quadro electrónico, qual quê! - estava para aí no 8. Resolvi ir passear, fazer uma viagem de reconhecimento à minha cidade (verdade!) e tomar o pequeno-almoço.

 

Voltei uma hora depois. Sabem quantos números tinham passado? Doze! Senti-me um desenho animado daqueles que lhe saiem os olhos fora das órbitas. Bom, lá sentei o rabiosque para descansar um bocadinho e contribuir para a "quadradeza" do referido. Entrei num estado de dormência, digamos assim, enquanto via os números passar caracolmente. Subitamente, olhei para o relógio para confirmar se o que o meu estômago me estava a transmitir, era verdade.

 

Resolvi ir almoçar para ganhar mais ânimo e coragem para enfrentar mais uma longa espera. De volta à seca, que é como quem diz à SS (até as siglas arrepiam porque fazem lembrar coisas más), olho para o LCD e vejo que só atenderam dez pessoas em duas, sim, duas horas! Ó valha-me Deus, é agora que vou cortar os pulsos a ver se me atendem mais rapidamente!

Fui dar mais um giro pela cidade a ver onde poderia gastar dinheiro que não gastei e beber um café. Depois de uma hora, regresso e, cansada e resignada, volto a quadrificar o meu backside no banco azul da SS.

 

Finalmente chega a minha vez. Sou mais rápida que uma seta a chegar ao guiché. Deposito os documentos em cima da mesa e digo ao que vou. Mal disposta, a senhora que me atende diz que tenho de preencher um impresso e ainda me manda à cara que já terminou a hora de trabalho dela. Que culpa tenho eu disso?!? Dessem ao dedo como deve de ser, não fossem caracóis e caracoletas! Fóking! Bom, só não respondi à letra porque estava anestesiada da espera e ansiosa por evaporar dali para fora.

 

Depois de começar a preencher o meu impresso, a tal senhora mal disposta abriu os olhos e viu que afinal não era preciso nada porque o assunto estava resolvido. Ou seja, fui lá em vão resolver o meu assunto que, por falta de coordenação e informação das finanças, já estava resolvido antes de o estar... Entenderam? Pois, eu também não!!!

Tempo de espera: SEIS horas de seca... :///

 

Em suma, tenho uma dor de pernas descomunal por tanto passeio à força que dei hoje e sinto-me como um bacalhau seco, seco de tantas horas de espera nestes dois dias. Ai que esta peixa esta mesmo a precisar de ser demolhada... Vou ali e já venho!

 

 

Sudenly Surgery!

 

A minha mãe foi hoje operada à vesícula. Foi um dia inteiro passado no hospital. E sinto-me como se tivesse sido atropelada por um camião, para já nem mencionar os kilómetros que fiz lá dentro.

 

O tempo de espera agudiza o nervoso miudinho e a ansiedade. É talvez das piores fases pré-cirurgia. Como a minha mãe já tinha todos os exames feitos, não foi em “excursão” fazê-los com o grupo dos futurs operados. Pela lógica da batata, ela deveria ter sido das primeiras pessoas a quem a cama seria atribuída. Mas não. Esteve desde as 11 da manhã até às 2 da tarde à espera.

 

Procedimentos efectuados (questionário, catéteres e vestuário), voltámos a esperar mais um pouco. A minha mãe travou logo conhecimento com o vizinho da frente que tinha feito a mesma cirurgia que ela de manhã, e com a senhora que estava de visita ao marido que se encontrava internado e ligado às máquinas há 3 meses.

Esta conversa acabou por ser um momento de descompressão pois devido ao nervoso, a minha mãe tinha a tensão altíssima.

 

Às 4 horas tinha chegado a vez da minha mãe descer para o bloco operatório.

Aproveitei para ir comer algo e entreter algum tempo, li uma revista cor-de-rosa (em momentos de tensão não me consigo concentrar para ler livros), joguei tetris no telemóvel, falei como toda a gente e mais alguém e calcorreei aqueles corredores do hospital mais de 500 vezes.

 

Depois aconteceu algo que mexeu bastante comigo mas que eu já suspeitava…

Tinha ouvido um médico falar com a senhora cujo marido estava ligado à máquina. Não ouvi a conversa sequer mas adivinhei intimamente o que se iria passar.

Acabara de sair do elevador e entrar na sala de espera quando vejo a tal senhora. Aproxima-se de mim e diz-me “ele já se foi…” e desfaz-se em lágrimas. Custou-me tanto ouvir aquilo. Porque imaginei o sofrimento daquela mulher ao ver o marido a definhar e a ficar dependente de uma máquina. As visitas diárias a um ser vegetativo mas que ela tinha esperança de ainda voltar a ver reagir. A adiar uma morte inadiável.

Dei um abraço e um beijinho à senhora, disse meia dúzia de palavras de consolo – se é que pode haver algumas numa altura destas – e desejei-lhe muita força e coragem.

Conforme a senhora me vira as costas, desataram a cair-me as lágrimas como se fosse por alguém que eu já conhecesse há algum tempo. Custou-me aquela história de vida que se desfez em fumo numa questão de segundos.

 

Contei todos os segundos e minutos à espera de ver a porta dos elevadores abrir-se e surgir a minha mãe. Espreitei o quarto dela vezes sem conta.

Passou uma hora… duas horas… três horas… e a preocupação a começar a crescer. Ao fim de quatro horas lá dá ela entrada no quarto.

 

Não é que a meio da cirurgia, a minha mãe teve um ataque de asma? Isto deve ter atrasado tudo. Mas quando a vejo vir, acordada e aparentemente bem, foi um alívio.

Como já estava fora da hora das visitas, apenas verifiquei se estava tudo bem pois ela estava bem disposta. Pormenores da cirurgia só amanhã mesmo. Saí do hospital cansadíssima mas bastante mais aliviada!

 

 

A Primeira Vez

                                      

 

Hoje foi a minha primeira vez. Foi inesperado. Não estava nada à espera. E nunca me passou pela cabeça que acontecesse assim.

 

Terminei mais um dia de trabalho sem sobressaltos. Os miúdos estavam iguais a si mesmos, nada de estranhar. Ri-me e brinquei com as minhas colegas, fiquei a saber mais uns pormenores das cobras mordisquentas lá do colégio e começo a apreender a técnica de jogar com um pau de dois bicos.

 

Saí do colégio e coloquei o meu melhor sorriso nos lábios. Afinal era hora dos pais irem buscar os meninos e eu tenho de mostrar aquilo que sou: simpática.

Além disso, é preciso agradar àqueles pais com muito bom aspecto.

 

Vim para casa embalada pelo balançar do autocarro e pelos meus pensamentos. Adoro observar as pessoas que vão entrando. Observar o comportamento, a maneira de estar, de vestir, a conversa…

 

E foi no meio dos meus devaneios que cheguei ao meu destino. Desci da camioneta, sentei-me e esperei.

 

Esperei com ansiedade que ele viesse. Deambulei os meus olhos pelas pessoas e carros que passavam, olhei para o relógio e esperei. Estava atrasado… comecei a pensar coisas e a ficar chateada.

 

Finalmente, vi-o aproximar-se ao longe. Esperei por ele com um sorriso mal disfarçado nos lábios e de braços abertos. Chegou-se ao pé de mim, afagou-me os cabelos em andamento, parando mais à frente. À minha espera. Adorei-te por isso.

 

Foi então que tudo aconteceu. Nunca tinha experimentado antes. Hesitei bastante, não sabia se deveria ir em frente ou não. Ele compreendeu e esperou pacientemente por mim. A sua espera incentivou-me a prosseguir.

 

O acto em si, consumou-se rapidamente. Numa fracção de segundo, agarrei-me a ele, ele acolheu-me e seguimos em frente. Nunca o tinha feito por trás mas gostei…

Foi diferente. Senti-me mais à vontade e irreverente.

 

Ainda bem que o autocarro parou para me deixar entrar por trás senão a esta hora ainda estaria na paragem! Pois… já sei que essas mentes pensaram em tudo menos na minha entrada pela porta traseira do autocarro.

Foi a minha primeira vez e gostei. Não sabem já que sou uma miúda muito certinha?!?

 

 

Esperteza Saloia à Portuguesa

Hoje acordei com um trovão. Qeum me conhece sabe que eu tenho um medo horrível de trovoadas mas tenho que me armar em forte senão está tudo estragado. aproveitei para tomar o meu antibiótico pois estava na hora e o despertador não despertou. Esqueci-me de o ligar. Esperta...!

Depois foi o costume: arranjar-me e preparar-me para ir fazer o penso. Cheguei ao centro de saúde e tinha cerca de 20 pessoas à frente. Hã?!? Mas hoje toda a gente tinha resolvido ir ao centro de saúde fazer pensos e levar injecções? Estranho...

Esperei meia hora sem chamassem uma única pessoa. Como não consigo estar muito tempo sentada resolvi ir dar uma voltinha até à sala de tratamentos. Foi aí que me chegou a mostarda ao nariz. Conforme vou a passar oiço uma senhora dizer "a médica disse para eu entrar assim que a pessoa que lá está dentro saisse". Ora pois tá claro! Assim que o pessoal era consultado e tinha tratamentos a fazer, entravam à frente dos outros macacos que estavam à espera na sala há horas. Mais meia hora e nada... nem uma senhazinha tinha sido chamada! Lá fui eu outra vez verificar o que se estava a passar. Desta vez eram algumas quatro pessoas que estavam à espera à porta da sala de tratamentos. Vim de lá a praguejar e a resmungar. As outras pessoas aperceberam-se do que se estava a passar e também foram verificar o mesmo que eu.

Havia 3 enfermeias - vi-as eu! - e só uma é que estava a trabalhar. Onde estavam as outras? não sei. Provavelmente a confraternizar nalgum lado.

Havia pessoas que já tinham 2 horas de espera em cima. eu cheguei lá às 11.45 e saí às 13.30. Não foi mau, pois não?

Se houvesse organização, coordenação e um supervisor em cima destes serviços, era pouco provável que isto acontecesse.

Não existe respeito nem pelos que estão doentes. Algo vai mal no Reino Luso... Ai vai, vai!

A única consolação que tive foi que a enfermeira achou que a minha "cratera" estava óptima para quem tinha sido operada há 8 dias...